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Diversidade biológica e diversidade cultural - Eixo 2

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Este eixo aborda as dinâmicas entre diversidade cultural e diversidade biológica e examina em que medida a construção dos patrimônios locais pode contribuir para a sua preservação e fortalecimento.

Contexto global

A importância dos saberes locais na gestão da biodiversidade foi destacada na convenção sobre a diversidade biológica de 1992, o que permitiu conectar de modo mais intenso a conservação da diversidade biológica com a conservação da diversidade cultural. Novos discursos sobre a conservação da diversidade biocultural e novos dispositivos emergiram, entre esses, a gestão comunitária de áreas protegidas ou de corredores de biodiversidade, os mecanismos do ABS (acesso e repartição de benefícios) e, mais recentemente, os PES (pagamentos por serviços ecossistêmicos) que visam remunerar comunidades locais para que conservem modos de fazer considerados como "boas práticas" ambientais. Essa virada "participativa" e "biocultural" da conservação contribui para reforçar o envolvimento das comunidades indígenas e locais na conservação de seu ambiente. No entanto, limitou o escopo dos saberes e das práticas tradicionais a uma eficiência ecológica avaliada por agentes externos em função de prioridades definidas para uma população geralmente urbana sem levar em conta as próprias aspirações das populações locais.

A abordagem patrimonial a diversidade cultural e biológica

As pesquisas do eixo 2 se referem também às dinâmicas da diversidade cultural e da diversidade biológica. Elas mostraram que as forças dessas interações resultam hoje principalmente das racionalidades mercadológicas e ecológicas oriundas da governança internacional da biodiversidade. Um dos riscos desse tipo de análise é de dar uma imagem de conservação dos padrões de vida "tradicional" das populações envolvidas, geralmente muito pobres, que permitem conservar a biodiversidade.
Assim, em muitos sistemas agrícolas, o cultivo de uma alta diversidade de variedades responde não apenas à preocupação de reduzir os riscos agroecológicos mas dá vida a relações sociais fundamentadas, por exemplo, nas trocas de variedades e não pode ser interpretada apenas em termos de racionalidade econômica ou ecológica. É o caráter dinâmico, vivo do aparelho conceitual no qual se ancora o "bom uso do meio ambiente" que permite sua plena realização e efetivação.
Os pesquisadores desse eixo privilegiam com frequência objetos de pesquisa (plantas silvestres, medicinais e cultivadas, raças de animais, fauna silvestre, diversidade dos ecossistemas, mosaicos de paisagens) que mobilizam disciplinas tais como a botânica, ecologia, biologia e genética mas que são analizados através do prisma da sua vida social e suas representações culturais. As farmacopeias locais, o artesanato que se fundamenta no uso de recursos naturais, a produção de objetos de arte, as culturas e os modelos alimentares, os saberes, os savoir-faire e as técnicas associadas, bem como as representações religiosas e cosmográficas são exemplos emblemáticos deste tipo de abordagem, bem como o intercâmbio e a circulação de sementes, cultivares ou animais e os modos de sociabilidade que acompanham essas trocas.
O eixo é subdividido em duas temáticas, "Biodiversidade, práticas, saberes e sistemas de direito" e "Identidades, saberes e técnicas."
Atualmente, as principais pesquisas estão localizados no Brasil, na Guiana, no Burkina Faso, no Vietnã, no Benin e Togo, na Argélia, no México e na África do Sul.

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Diversidade biológica e diversidade cultural - Eixo 2

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Este eixo aborda as dinâmicas entre diversidade cultural e diversidade biológica e examina em que medida a construção dos patrimônios locais pode contribuir para a sua preservação e fortalecimento.

Contexto global

A importância dos saberes locais na gestão da biodiversidade foi destacada na convenção sobre a diversidade biológica de 1992, o que permitiu conectar de modo mais intenso a conservação da diversidade biológica com a conservação da diversidade cultural. Novos discursos sobre a conservação da diversidade biocultural e novos dispositivos emergiram, entre esses, a gestão comunitária de áreas protegidas ou de corredores de biodiversidade, os mecanismos do ABS (acesso e repartição de benefícios) e, mais recentemente, os PES (pagamentos por serviços ecossistêmicos) que visam remunerar comunidades locais para que conservem modos de fazer considerados como "boas práticas" ambientais. Essa virada "participativa" e "biocultural" da conservação contribui para reforçar o envolvimento das comunidades indígenas e locais na conservação de seu ambiente. No entanto, limitou o escopo dos saberes e das práticas tradicionais a uma eficiência ecológica avaliada por agentes externos em função de prioridades definidas para uma população geralmente urbana sem levar em conta as próprias aspirações das populações locais.

A abordagem patrimonial a diversidade cultural e biológica

As pesquisas do eixo 2 se referem também às dinâmicas da diversidade cultural e da diversidade biológica. Elas mostraram que as forças dessas interações resultam hoje principalmente das racionalidades mercadológicas e ecológicas oriundas da governança internacional da biodiversidade. Um dos riscos desse tipo de análise é de dar uma imagem de conservação dos padrões de vida "tradicional" das populações envolvidas, geralmente muito pobres, que permitem conservar a biodiversidade.
Assim, em muitos sistemas agrícolas, o cultivo de uma alta diversidade de variedades responde não apenas à preocupação de reduzir os riscos agroecológicos mas dá vida a relações sociais fundamentadas, por exemplo, nas trocas de variedades e não pode ser interpretada apenas em termos de racionalidade econômica ou ecológica. É o caráter dinâmico, vivo do aparelho conceitual no qual se ancora o "bom uso do meio ambiente" que permite sua plena realização e efetivação.
Os pesquisadores desse eixo privilegiam com frequência objetos de pesquisa (plantas silvestres, medicinais e cultivadas, raças de animais, fauna silvestre, diversidade dos ecossistemas, mosaicos de paisagens) que mobilizam disciplinas tais como a botânica, ecologia, biologia e genética mas que são analizados através do prisma da sua vida social e suas representações culturais. As farmacopeias locais, o artesanato que se fundamenta no uso de recursos naturais, a produção de objetos de arte, as culturas e os modelos alimentares, os saberes, os savoir-faire e as técnicas associadas, bem como as representações religiosas e cosmográficas são exemplos emblemáticos deste tipo de abordagem, bem como o intercâmbio e a circulação de sementes, cultivares ou animais e os modos de sociabilidade que acompanham essas trocas.
O eixo é subdividido em duas temáticas, "Biodiversidade, práticas, saberes e sistemas de direito" e "Identidades, saberes e técnicas."
Atualmente, as principais pesquisas estão localizados no Brasil, na Guiana, no Burkina Faso, no Vietnã, no Benin e Togo, na Argélia, no México e na África do Sul.