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Axes scientifiques

Territórios e Estratégias - Eixo 1

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O eixo é focado sobre os processos de construção e desconstrução dos territórios, patrimônios e identidades. Objeto polissêmico, o território é analisado tanto como espaço de gestação dos patrimônios locais, quanto espaço alvo de políticas públicas que interferem na gestão e conservação desses patrimônios.


O eixo 1 valoriza abordagens comparativas (entre continentes e ecossistemas) e pluridisciplinares (principalmente nas áreas da antropologia, arqueologia e geografia). As diversas dimensões do território são apreendidas de modo concomitante para construir uma reflexão crítica sobre as ações e os projetos de desenvolvimento sustentável. De fato, atores, valores e práticas que atuam nos diferentes contextos examinados apontam para dissonâncias, ou convergências, de percepções e ações, reveladores de insucessos ou de êxitos nas experiências empreendidas de desenvolvimento. Os projetos de pesquisa são estruturados seguindo duas temáticas complementares.

 "Marcadores, memórias"

Aborda a profundidade diacrónica do espaço e a construção histórica e política dos territórios no tempo longo, em referência à memória e às marcas tangíveis do passado. Em conexão com essas construções, analisa as representações locais (geo-simbôlica do espaço, presença do passado, reinterpretação das antigas ocupações) e as práticas de apropriação e exploração desse território por meio de marcadores territoriais, identificação de locais de maior importância e organização espacial. Os pesquisadores estão interessados na emergência dos territórios e dos patrimônios, ou seja na formação, seguindo uma linha de tempo mais ou menos extensa, dos diversos tipos de patrimônio (território, técnicas, "tradições" e "cultura"), e nas suas formas de perenização até o presente. Objetiva entender o que incide sobre a construção dos objetos patrimoniais, desde a relação com o meio ambiente até as representações e os valores das populações locais. Analisa as formas de apropriação e efetivação dos processos de patrimonialização frente à presença de novos atores. Trata também de suas reformulações no contexto das atuais relações interculturais. Os trabalhos mobilizam por parte uma abordagem arqueológica aberta à interdisciplinaridade e às preocupações atualísticas: as de um éco do passado nas construções patrimoniais do presente.

"Políticas de desenvolvimento e conservação"

É dedicada ao estudo das dinâmicas de conservação dos territórios pelos atores estatais, privados, empresariais, e de suas articulações com as práticas e os objetivos das populações locais. Um interesse especial é outorgado às áreas protegidas, mas também aos espaços fronteiriços, áreas de confrontos e negociações onde se construi e se disputa, entre outros elementos, os objetos emblemáticos do patrimônio. Vários programas estão em curso sobre a gestão territorial da biodiversidade realizada pelas comunidades indígenas e locais, os saberes locais e os elementos ambientais e culturais susceptíveis de se tornar, ou não, patrimônios. Os pesquisadores acompanham as modalidades de criação, gestão e conservação de áreas marinhas protegidas, litorais ou terrestres, em várias regiões, em um contexto de mudanças climáticas e de disputa por terras. Eles questionam os serviços ecossistêmicos, as políticas de repartição de benefícios associados a esses serviços e sua governança, bem como a aplicação de instrumentos económicos nas políticas de conservação. Outro tema é dado pela análise dos movimentos de contestação e reinvidicação ligados às questões ambientais e territoriais, com especial atenção voltada para os processos políticos nos quais as populações locais que as quais trabalhamos estão cada vez mais engajadas. Esse último ponto está ligado ao desenvolvimento de metodologias de pesquisa participativa desenvolvidas pelos pesquisadores da UMR.

Os principais locais de pesquisa estão situados no Brasil, Índia, Timor Leste, Egito, Marrocos, Camarões, Polinésia Francesa, Senegal, Argélia e Tunísia, Quénia e Tanzânia e no Gabão.